segunda-feira, maio 3

LIVRO (RELICÁRIO)

Cap. II - Despedida.



Chegamos na casa da Lisa, tudo escuro, aparentemente não tinha ninguém a não ser eu e Billu, eu já estava estranhando o silêncio quando entrei na sala, escuridão total, quando senti uma mão em minhas costas e um ar gelado me cercou na hora, no mesmo instante Lisa acende a luz e então vejo a sala cheia de balões e faixas, com a maioria de meus amigos de infância, quando olhei para ver de nde vinha a mão que senti em minhas costas não vi ninguém, só Billu do outro lado do quintal com uma caixa de cerveja nas mãos, não poderia ter sido ela, não tão rápido assim. Achei melhor não falar nada, podia ser paranóia, ou então, nervosismo pela mudança.

- E ai Vick ! Nossa próxima jornalista, pronta para enfrentar Nova Iorque! – era a voz de Mike, a única voz que eu não pretendia escutar, não hoje, não nesse dia.

- Ah, oi Mike, tudo bom ? – minha cara me denunciou, e ele retribuiu com uma careta e um “tudo certo”..

Logo veio a Mary, a Fer e a Ermi, todas com sorrisos forçados, eu sabia que elas queriam estar ali tanto quanto eu queria que elas estivessem. Billu veio com dois copos de algo não identificado me empurrando um e falando que eu tinha que aproveitar a festa, na verdade era mesmo tudo que eu queria, aproveitar a festa, esquecer dpo um minuto que amanha eu estaria indo para Nova Iorque, nova vida, novos amigos, novo começo, me animava e dava medo ao mesmo tempo.

- Vivi, vai dar uns pegas no Mike hoje ? – ela sabia ser irritante e inconveniente quando bebia – olha a cara dele para você Vick, certeza que ele quer.

- Larga de ser besta Billu, ninguém quer nada aqui não – ela percebeu a alteração de minha voz e se afastou.

Pronto era tudo que eu precisava, justo hoje que não queria me aborrecer já tinha motivos para ir embora. Decidi subir ao banheiro e lavar o rosto, nem me preocupei em acender a luz, entrei, abri um pouco a torneira e joguei aguá em minha nuca, foi quando me dei conta da temperatura que

caiu de repente, o suficiente para embaçar o espelho, então de relance vi

uma forma refletida no espelho, no impulso acendi a luz para ver o que

era, não havia nada, eu realmente estava ficando louca.

- Onde é que você estava dona Vick? – Billu já estava em seu normal de novo – o pessoal esta querendo ir para o bar, vamos!

- Ah Billu, eu quero muito mas amanhã é a viagem, vai ser meio cansativo, acho melhor ir para casa, passar o resto do tempo com o papai.

- Pode ir parando Victoria! Você vai chegar e eles vão estar dormindo, nem

adianta essa desculpa, por mim vai Vivi, é nossa ultima noite – ela sabia chantagear alguém, era tão irritante, mas eu tinha que concordar, era mesmo nossa ultima noite. Sem muito o que discutir, soltei um “okei” totalmente reprovado por uma careta.

- Ali, naquela rua, pode seguir Phil. Pronto, chegamos vocês vão amar meninas – a voz

empolgada da Lisa dava a impressão do melhor lugar do mundo.

- Ér, vão na frente, eu vou fazer uma ligação e logo entro.

- Anda logo em Vick, se não agente começa sem você – a Billu sempre me motivava.

Depois que eles entraram, alguma coisa chamou minha atenção para um beco perto do bar. Era escuro, com duas grandes lixeiras, mas, tinha algo a mais, alguma coisa me intrigando, me puxando em direção a escuridão,. Sem pensar se era seguro ou não, fui escuridão adentro totalmente cega com a falta de luz, ia tateando para tentar andar quando me deparei com faíscas, conforme me aproximei elas iam se transformando em feixes de luz, crescendo, quando cheguei bem perto, sumiram, me senti em um dos episódios de arquivo-x. A temperatura caiu de um modo que era possível sentir o ar frio entrando por meus pulmões, exatamente como na hora que entrei nasala da Lisa, o cheiro forte que me rodeava estava me deixado tonta e ainda tinha uma estranha sensação de estar sendo observada, me arrepiei até o ultimo fio de cabelo sem poder me mover, fiquei parada, sem ação.

STOC !

Um estalo forte atrás de mim me tirou do transe me fazendo virar no mesmo instante, nunca tive muito de coisas estranhas ou barulhos e vozes, sempre vi filmes de terror sozinha, mas aquilo não era série, e também nada de fictício, eu senti como se algo estivesse muito errado. O ar continuava congelante e o cheiro mais forte, senti uma presença se

aproximar, peguei o spray de pimenta em minha bolsa e me preparei para a defesa quando Billu me gritou desesperada na entrada do beco.

- Corre Vick, vamos embora! – eu percebi o pavor em suas palavras, antes que eu perguntasse o motivo ela continuou – foi horrível, o barman estava fazendo uma apresentação com fogo e dinks e então entro em chamas, quando ele parou de se debater o fogo sumiu, mas já era tarde, como você não ouviu a gritaria?

- Eu.. eu não escutei nada, onde estão os meninos? – dei graças deus que não entrei, tenho um sério problema com fogo, minha mãe fala que devo ter algum trauma ou algo parecido – eles estão bem?

- Estão no carro, você está a mais de meia hora aqui fora, estávamos preocupados, o que aconteceu ?

- Só minha mãe querendo que eu voltasse logo – menti com medo de parecer idiota, e outra, não precisava preocupar mais a Billu, ela já estava aterrorizada de mais.

Segui até o carro, vendo a movimentação da ambulância e o rosto apavorado das pessoas. Tinha algo errado, alguma coisa fora do dlugar, o modo como me senti no beco e segundos depois ela me contando o que aconteceu lá detro, era tudo muito estranho. Eu estava imersa em meus pensamentos, entrandono carro quando vi, parado na porta do bar com um rosto sereno e ao mesmo tempo medonho, podia ser, mais uma vez, paranóia minha, mas ele me encarava, aquela friesa estranha e um sorriso sarcástico, ele se destacava entre osoutros por estar todo de branco, um terno impecável que não parecia

real, o mais estranho é que ninguém pareciar o notar como eu notava, ele continuou lá, me olhando, como se me devorasse, até que viramos a rua e ele sumiu atraz de meus olhos.

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