como de costume, abria a porta barulhenta de seu apartamento, colocava os sapatos para o lado de fora e ia até o computador que ficava no canto da sala, já era de costume esse ritual todos os dias, enquanto a maquina antiga e destrambelhada ligava ela ia até a cozinha preparar qualquer coisa que enganasse seu estômago durante o resto da noite, a tela inicial que sempre mostrava os e-mails recebidos durante o dia nesta noite estava diferente, marcava somente uma unica mensagem, mensagem que era melhor nunca ter existido.
"Eu tentei por todo esse tempo manter, manter o laço que nos unia e esse amor que parecia ser inesgotável, tentei com todas as minhas forças continuar a ser feliz com o pouco que tinha, já que você nem ao menos me dava o que eu pedia, tentei superar a dor de ter que te dividir com todas as outras pessoas que a cercam, impossível viver assim, viver com essas duvidas em minha mente e esse problema de não estar sempre que desejo, impossível tentar me enganar e fingir que tudo esta bem, impossível ser assim como estou, desculpa, sou fraco, não me culpe por dizer isso assim, de outra maneira que não fosse a sua frente, mas eu não seria capaz, não saberia como te dizer essas coisas absurdas pessoalmente e nem teria coragem de tentar te deixar, desculpa, não foi você a culpada, na verdade não existem culpados, somente corações idiotas que insistem em ter vontade própria e fazer com que nossas almas sofram depois, pela ultima vez, desculpa, eu amo você, não encare como um fim, mas como um começo de caminhos diferentes, você sempre será minha vida e eu nunca vou te esquecer."
O copo de leite em suas mãos foi ao chão, seus olhos molhados de dor já não viam mais nada, ela tentou se mover, sem sucesso, cortou os pés descalços nos estilhaços do copo, dor, vazio, solidão, era uma mistura de sentimentos exageradamente confusos em sua mente, não sabia o que fazer, pulou, a janela que estava aberta foi sua fuga, sexto andar, alguns segundos de queda que lhe renderam a mais feliz de suas viagens, se sentia livre de toda a dor, se sentia livre de todo sofrimento, era depende ao ponto de encerrar sua vida quando o fim chegou, era dependente ao ponto de qualquer loucura para se livrar da dor de não te-lo.
As poucas pessoas que passavam na rua, chuvosa, olhavam o corpo estirado ao lado da guia, condenavam, reparavam, com olhares vazios, tentavam entender o por que de tal crueldade, não importava, já estava feito, ela já tinha se livrado da dor e vazio, e por fim, se foi com um sorriso no rosto, sorriso tal que não se desfez momento nenhum após a queda, sorriso que levou consigo para dentro de sua morada eterna.
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